Par ou Impar


Santiago do Chile

A Lembrança: Um sorriso e uma dor.

Morros, Progresso e Fumaça Cinza

Santiago promete pouco, cumpre bastante. Apesar dos problemas.

 

Se o Chile está crescendo 7% ao ano eu estou crescendo 3%, existe um problema. Estou ficando para trás. Já não tenho ne a energia nem o entusiasmo de antes. Não é questão de velhice prematura. Tem a ver com o ambiente geral. A euforia atual me deprime, me marginaliza. Já não aguento mais.

Houve uma época, não tão longínqua, em que vivíamos submergidos no centro do Terceiro Mundo. Atrasado, pobre, bananeiro. Mas tranquilo, em escala humana. O Chile via-se a si mesmo como um país sub-desenvolvido. Já não é mais. Isto está claro. Não há volta. E mais: neste ritmo, talvez o único caminho seja para cima. E essa meta - ser um país desenvolvido - tem um custo: viver num país em via de desenvolvimento. Em via. Ao ponto, quase al dente. Segundo Mundo, entre o Primeiro e o Terceiro. A maldição dos que não são nem uma coisa nem outra. É crescer, crescer e crescer, e não ter tempo para amadurecer.

Santiago, nesse sentido, é a capital perfeita do Segundo Mundo. As demolições não param e as construções - que tem acabamento pontiagudo para desafiar uma regulamentação municipal e assim aproveitar a maior quantidade de metros quadrados -, tampouco. Aqui não há memória nem monumento que sejam respeitados. No meio de bairros antigos surgem pavarosos condominios. E os supermercados, nossos templos, crescem em espaço cda dia maior.

A cidade de Santiago é imensa e já não cabe dentro de um vale cercado por morros e pela imponente Cordilheira dos Andes, que, sufocantemente, só é vista quando chove. Quando isso ocorre, todo o ódio que temos contra Santiago se transforma em veneração. Pena que dura tão pouco. Como um arco-íris. Isto é, o smog. Esta camada de fumaça cinza que não nos deixa ver quem somos e que alguns confundem com cheiro de progresso. Eliminá-lo seria retroceder.

Santiago é uma cidade de carros, extensa, eterna. Obviamente não tem free ways, como Los Angeles. As ruas mais largas têm quartro pistas, embora a maioria tenha duas, o que é patético. Também há poucas vagas para estacionar. Em Santiago, os congestionamentos são uma praga, as pessoas demoram mais de uma hora para chegar a suas casas, a isso se deve o infinito poder dos programas de rádio pela manha e às sete da tarde. Além disso, todos os dias hé restrição veicular: se a placa de seu carro termina em um determinado número, a ditadura urbana o proíbe de circular. Por sorte, há ônibus. Milhares e milhares de ônibus amarelos que avançam a metros por hora e ocupam todas as pistas do trânsito. O verdadeiro coração de Santiago está no corredor de um desses ônibus.

Talvez seja por tudo isso que eu tenha vendido meu carro. E fiquei um pouco recluso, no melhor bairro de toda esta cidade: Providencia. Famosa pela sua avenida cheia de butiques e lojas que agora, com o reinado dos malls suburbanos, já não é mais um dia o que foi, embora mantenha os seus cinemas, restaurantes e demasiados bares e pubs onde pessoas vão para ver e serem vistas. Providencia é verde e antiga e , se a maioria das casas localizadas nas suas ruas escondidas foram demolidas, os prédios pelo menos são baixos, dignos e durante as tardes, o setor se enche do aroma das flores. Em Providencia há metrô, pode-se andar e tudo está próximo. A população divide-se em idosos e profissionais jovens, o que é uma má mistura, embora crianças façam falta.

Providencia está no sopé do Morro San Cristobal, o morro onde termina meu romance Mala Onda e que, quse sempre, subo de bicicleta. O San Cristobal - nosso Central park vertical - é um imenso morro que domina a cidade. Tem piscinas, bosques, antenas de televisão, zoológico, uma escola de cachorros policiais, funicular e teleférico, além da imensa Virgem de cimento branca que vigia e perdoa os pecados cometidos na cidade que se move a seus pés.

Graças ao fato de que o Chile é estreito como uma adolescente anorexica, Santiago se encontra perto de tudo (Praia, campo, deserto), o que é uma benção, salvo nos feriados. As pistas de esqui de Ferrellones e Valle Nevado estão a menos de uma hora. Nos finais de semana, não é raro ver jovens com coloridos snowboards pedindo carona, querendo chegar o mais rápido possível ao alto e desligar-se de tudo o que está aqui em baixo. É claro que, no final do dia, não demoram em descer. Santiago, aos poucos, promete pouco, mas cumpre bastante. Por isso, apesar de tudo, continuo aqui.

Alberto Fuguet - Bravo ano 1- n.5

 

P.S:

Já achei este texto melhor. Queria tê-lo postado em dezembro passado. Não adiantaria de nada. Hoje sei.  Espinho e cicatriz.

É só mais uma coisa. Aos poucos a caixinha vai sendo novamente aberta. Hora de limpeza.

 

No Som: The Face that Launched 1000 Shits - Death Cab for Cutie - Something About Airplanes

Na cabeceira: Mafalda de Quino. Vol1

Na tela: Distance - Hirokazu Kore Eda



Escrito por chelo_bueno às 01h52
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Musiquinha do Dia

Milions of 1000...

 

The Face that Launched 1000 Shits

And I'm standing up in my practice room. I'm all alone.
Speakers almost blown and my new Gibson, and oh what the hell.

Things are not so different in my vocal master.
You're the face that launched one thousand shits.
Quakes and Trojans and a thousand shits.
The shits lining the shores of Asia minor.
Lining all the shores of Asia minor.
You can tell that I'm not a minor in Asia no more.

I'm standing up. His is the face that launched a thousand shits.
I'm standing up. This is the face that launched one thousand shits.

This is the face that shot. You'll never have replaced.
Splitting up his kingdom into 3 separate parts,
for his sons and their 3 separate hearts.

DEATH CAB FOR CUTIE - SOMETHING ABOUT AIRPLANES



Escrito por chelo_bueno às 00h47
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Poema

 

A Lua, a Terra e o Sol

Verão de 1998

Janeiro, talvez fevereiro. São José dos Campos. Jean Di e Marcelo sentados em cadeirinhas de madeira, no pátio de um prédio. O prédio onde morava Jean D. Aquela vida besta.

Trabalhava lá, no prédio, um rapaz. Não me lembro o nome. Chamarei de João, já que algum nome há que dar-lhe. Riso bobo. Cabça lisa como uma bola de bilhar. Um cérebro que não saiu dos 7 anos. Assim como não saiu aquele ar inocente de gostar das pessoas e ser cruel. Um corpanzil infante. Ele havia voltado, aos 30 e tantos anos, à escola primária.

Jean lhe pergunta, está estudando? Ao que João responde que sim. Geografia. E nos mostrou o livro, de priemeira série que descorria sobre o Sitema Solar.

O garoto, João, vira-se com aquele sorriso sem graça e meio tímido e o corpo a balançar sem jeito, envergonhado de revelar. Estou escrevendo poesia também. Quer ver.

E então nos mostrou, com aquela letra descordenada, mas esforçada num pedaço de papel

A Lua é um Satélite Natural

A Lua gira ao redor da Terra

A Terra gira ao redor do Sol.

 

Acho que naquele verão, e nem em outros cheguei a conhecer pessoa capaz de retirar tamanha beleza de um livro de Geografia como a que tinha saido daqueles olhos presos pela ingenuidade.

Para mim essa é a poesia mais bonita do mundo.

Nostalgia.

 



Escrito por chelo_bueno às 00h04
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Homenagem ao etéreo

 aithér (Grego) -  fluido sutil e rarefeito que preenche todo o espaço e envolve toda a terra (ubiqüidade: o estar em toda a parte a todo o tempo).

 

*ÉTER

Einstein - "O espaço é dotado de qualidades físicas; neste sentido existe um éter. Um espaço sem éter é impensável, pois nele nem haveria propagação de luz, nem a possibilidade de medida, nem portanto intervalos de distância ou tempo. Mas esse éter não é dotado com a qualidade de um meio ponderável, consistindo de partes que evoluem no tempo. A idéia de movimento não é aplicável a ele."

Coutney Baker -

  • O éter é um meio contínuo imperfeitamente elástico: é dotado de elasticidade e resistência.
  • É constituído de energia livre, essa liberdade gera heterogeneidades no tempo e no espaço. No tempo: movimento; no espaço: tensão, estrutura. Toda heterogeneidade é fonte de informação.
  • A resistência suporta a heterogeneidade e possibilita a estrutura (espaço).
  • A elasticidade minimiza a heterogeneidade e suporta o movimento (tempo).

algumas propriedades de um éter visto como um oceano de energia orgone, básicas para se entender a natureza essencial da energia:

  • O meio orgonótico é um continuum: não existe ação à distância.
  • Há neste meio duas tendências opostas: uma de auto-atração (contração), outra de expansão, juntas elas geram a pulsação.
  • O meio tem uma densidade variável, como se observa nas concentrações de energia orgone, que flui da menor para a maior.
  • Ele é fonte de movimento espontâneo, que toma as formas de ondas, helicóides, fluxos e pulsações.
  • O meio cria e suporta estruturas, como formas de movimento estruturados e caóticas. Esse movimento arrasta a matéria, que seria um movimento congelado.
  • O meio é elástico. Ele transmite energia e a armazena em campos.
  • O meio suporta tensões, possibilitando a existência de diferenças de potencial.
  • Ele porta informação.
  • O meio é diferente do espaço.  É o tempo de trânsito da energia que permite a apreciação do espaço.
  • É uma referência para o movimento. O movimento em relação ao éter faz sentido, mas relação ao espaço não

    David Bohm - (A física quântica) - ...

    Seria um universo cheio de energia, muito mais um plenum  que um vazio, que ele vem denominar de holomovimento. Dentro desta visão ele mergulha nos fenômenos de sincronicidade e vem nos falar de um universo indivisível, onde a informação do todo está em todas as partes, e se tudo move permanentemente. A questão da informação é básica para Bohm, tudo no universo é organizado por  dois tipos de ordem: e a ordem implicada (ou implícita, envolvida), e a ordem explicada (ou explícita, desenvolvida). Tudo no universo pulsa entre essas duas ordens, a explicada é a que se forma pela discriminação a partir do todo, a implicada é a que se inscreve no todo a partir do individual. O plenum transporta a ordem implicada. As ordens explicadas podem ter diferentes níveis de complexidade, a ordem implicada existente no holomovimento e tem um nível de complexidade e uma dimensionalidade infinitas.

    O que nós vislumbramos  como dualismos -- vivo/inanimado, corpo/mente -- são apenas diferentes projeções desse holomovimento em ordens mais simples.

    A consciência se aproxima da ordem implicada: imagine-se ouvindo uma melodia, a primeira nota é ouvida e vai deixando um vestígio na mente que se liga à próxima nota dando uma continuidade à música, a nova nota deixa um outro vestígio e assim sucessivamente. Cada nota ao deixar vestígios está se envolvendo em um complexo, se inscrevendo em um todo. A explicitação a partir dessa ordem mais implícita seria a rememoração ou a reorganização em uma nova idéia.

    Sob esta perspectiva, o movimento deixa de ser uma relação entre algo que existe e algo que não existe mais, pois o passado deixa vestígios na ordem implicada, que continua existindo e passa a relacionar duas entidades existentes no presente, um vestígio e um acontecimento.

    * - Retirado de História do conceito de éter de  José Guilherme Oliveira

    Um Convidado bem Trapalhão

    Trocas -

    Um ator indiano por um estudante brasileiro.

    Uma mansão por um apartamento, de sala ampla com uma singular coluna, redonda, no meio.

    Uma piscina por um jardim verde esmeralda, iluminada por dicroicas brancas.

    O Calor da California, pelo inverno paulistano.

    Aquela empostação pel despojamento.

    Garçons por uma mesa com delicosa comida.

    Espumas por balões brancos caindo no jardim.

    Tudo isso em algumas horas, agora congeladas.

    Várias caras ranzizas por uma conversa com três comparsas desconhecidos.

    A Histeria pela calma daqueles ombros...

    Peter Sellers era sábio...

  • Etéreo - relativo ao, ou da natureza do éter. FIG sublime, puro, eleveado - Celeste, celestial

    FELIZ ANIVERSÁRIO!

     



    Escrito por chelo_bueno às 10h46
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